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Pesquisadores franceses acreditam que nicotina possa agir contra o coronavírus

Em cerca de 11 mil doentes internados nos hospitais públicos de Paris no início de abril, apenas 8,5% eram fumantes. Florion Goga/Reuters
Texto por: RFI
3 min

Um estudo realizado por uma equipe médica do hospital Pitié Salpêtrière, em Paris, e pelo neurobiólogo Jean-Pierre Changeux, membro da Academia de Ciências da França, mostrou que os fumantes são menos atingidos pelo coronavírus. Pesquisadores trabalham com a hipótese que a nicotina poderia dificultar o contágio.

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Enquanto cientistas do mundo inteiro travam uma corrida contra o relógio para tentar encontrar um medicamento e uma vacina contra o coronavírus, um grupo de cientistas franceses se dedica a estudar um possível efeito da nicotina contra a doença. A pesquisa foi publicada pela Academia de Ciências da França, após ter observado o comportamento do vírus no organismo dos fumantes e não-fumantes.

O estudo analisou 350 pessoas hospitalizadas e 130 pacientes que desenvolveram sintomas leves do coronavírus - todos testados positivos à doença. Entre eles, apenas 5% eram consumidores regulares de cigarro.

Junto ao neurobiólogo Jean-Pierre Changeux, o professor Zahir Amoura, que dirigiu o estudo hospital Pitié Salpêtrière, trabalha com a hipótese de que algo no cigarro - mais especificamente a nicotina - poderia dificultar o vírus de ser assimilado pelo organismo. Outra ideia é que essa substância presente no cigarro também poderia atenuar a resposta imunitária excessiva observada nos casos mais graves da doença.

“Há cerca de 80% menos de fumantes entre os contaminados pela Covid-19 do que na população geral, considerando o mesmo sexo e a mesma idade”, explicou Amoura à rádio France Inter.

O cientistas se apoiam em outros dados divulgados pelos hospitais públicos de Paris. Em cerca de 11 mil doentes internados no início de abril, apenas 8,5% eram fumantes. Um número baixo comparado à quantidade de pessoas que consomem tabaco na França: 25,4%.

Hipótese será verificada

Um novo estudo clínico será realizado em breve sobre essa questão. A pesquisa preliminar interessou as autoridades sanitárias francesas.

Assim, adesivos com nicotina serão administrados em três grupos diferentes: em profissionais do setor da saúde, pacientes hospitalizados em situação estável e outros nas UTIs francesas.

Ao mesmo tempo em que investem em diferentes possibilidades, o governo se preocupa também com o anúncio sobre descobertas ainda não confirmadas. Por isso, lembra que o tabaco é a causa de várias doenças e diversos tipos de câncer, sendo responsável pela morte de 7 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.